Arquivos - 2014

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Presidenta ou Presidente?
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Patrulha digital
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O crime compensa?
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A torpeza não pode ser tolerada
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Legalize Já
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O efeito Luciana Genro
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Tá na hora da Segurança
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Felipão
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Ranking de Universidades
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Santander
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Há que diferenciar o povo judeu do Estado de Israel
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Os canalhas contra os imigrantes
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Os anúncios de apreensão de drogas

Presidenta ou Presidente?

Pela primeira vez na história do país, entre as cinco principais candidaturas a presidência da República, há 3 mulheres.

Juntas, Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro têm mais que o dobro da soma das intenções de votos dos candidatos homens.

No entanto, a realidade para os demais cargos públicos ainda está muito longe da equidade.

Embora hoje as mulheres representem mais de metade da população brasileira, a sua representação no congresso nacional ainda é bastante pequena, de pouco mais de 10 por cento.

Poucas vereadoras e deputadas, pouquíssimas senadoras, governadoras e prefeitas.

A lei eleitoral obriga os partidos políticos a destinar pelo menos 30% das candidaturas para as mulheres. Alguns partidos como o PT e o PSOL vão além, e já estabeleceram regras internas para garantir que 50% das candidaturas aos parlamentos sejam de mulheres.

Ano a ano as mulheres felizmente vem ganhando mais espaço na política, o que reflete também nas posições de comando na iniciativa privada.

No meio disso tudo, apenas uma confusão: Dilma Roussef e Luciana Genro se apresentam como candidatas a Presidenta, Marina Silva como candidata a Presidente.

Não sei qual o certo ou errado, particularmente, acho Presidenta mais bonito.

Patrulha digital

Durante todo o final de semana, e até mesmo nessa segunda-feira, a imprensa brasileira repercutiu exaustivamente todos os desdobramentos da morte de Eduardo Campos.

Além da natural cobertura sobre as investigações sobre o acidente aéreo, e também das articulações em torno da sua substituição na corrida presidencial, chama a atenção o destaque dado para a fofocas em torno do velório, que no final das contas acabou se transformando em um grande ato político.

Militantes e militontos de todos os partidos passaram a interpretar fotos, em especial algumas em que Marina Silva está sorrindo, sugerindo desrespeito.

Ora! E desde quando sorrir em velório é um desrespeito com o defunto ou com a família. Que atire a primeira pedra aquele que, mesmo perdendo um parente próximo, por algum momento não deixou escapar um sorriso.

Ocorre que hoje em dia, com essa quantidade de máquinas digitais, fica fácil tirar uma foto e dar a ela o contexto desejado.

Seja em velório, seja em qualquer cerimônia, as pessoas ficam sérias, sorriem, bocejam… enfim, têm expressão facial.

Desrespeito não é sorrir em velório, mas fotografar sorrateiramente um sorriso, criar uma legenda de impacto pra lançar a polêmica.

O moralismo e a incessante patrulha digital cansam.

O crime compensa?

Em novembro de 2013, em uma fazenda em Afonso Cláudio (ES) a Polícia Federal apreendeu 445 de cocaína em um helicóptero de propriedade da família do Senador Zezé Perrella (PDT-MG) e seu filho Deputado Estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG).

Um dos pilotos era assessor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, lotado no gabinete do Deputado Gustavo Perrella.

Estranhamente, o inquérito foi encerrado em menos de 6 meses e todas as pessoas presas em flagrante foram inocentadas.

Drogas, crime organizado, financiamento de campanhas…  há muita coisa em aberto.

Coincidentemente, o Senador Zezé Perrella e seu filho Deputado Gustavo Perrella são apoiadores incondicionais de Aécio Neves (PSDB), aquele que construiu um aeroporto na fazenda do seu tio no Município de Cláudio (MG).

Ah… a distância de Cláudio (MG) e da fazenda em Afonso Cláudio (MG) eu não sei, mas vale averiguar.

 

Vale muito a pena dar uma olhada nesse excelente documentário do DCM, com reportagem do jornalista Joaquim de Carvalho.

 

A torpeza não pode ser tolerada

Me adaptando ao costume local, na tarde desta quarta-feira eu estava fazendo a siesta quando recebi uma mensagem por whatsapp anunciando a morte do candidato Eduardo Campos.

Imediatamente me conectei ao twitter e também ao facebook para saber mais sobre o assunto.

Eis a minha surpresa.

Ainda eram raras as notícias ou informações precisas sobre o terrível acidente que tirou a vida do presidenciável, de assessores e pilotos do jatinho. No entanto já pipocavam as mais descabidas ilações levianas ou até pior, piadinhas jocosas sobre o acidente. Gente da minha rede de contatos que questionava: porque não a Dilma? porque não o Aécio? ou ainda sugerindo que essa tragédia pudesse ter sido causada por um desses, com fins eleitorais.

A vida é muito mais do que isso.

Fazer piada ou ilações com a morte de presidenciáveis ou ídolos de times adversários é inadmissível.

Falta de sensibilidade. Falta de educação.

O melhor é ficar longe de gente como essa. Vez por outra a gente precisa fazer uma limpa, deixar de seguir ou manter contato com determinadas pessoas.

Tal como limpar gavetas, faz bem para a alma jogar se desapegar daquilo e daqueles que nada acrescentam.

Legalize Já

Finalmente, parece mesmo que a insensatez da tal guerra contra as drogas tá chegando ao fim.

Já sao muitos os sinais que indicam nessa direção, então há dúvidas que o vanguardismo do governo uruguaio liderado por José Mujica alavancou ainda mais esse debate a nível global.

Na semana passada foi a vez do Jornal New York Times defender em editorial  a idéia da legalização dos derivados da canabis, com a maconha, o haxixe e a marijuana.

Hoje, os efeitos da guerra contra as drogas sao muito mais nefastos do que a justificativa dessa cruzada.

A cada dia que passa o crime organizado avança e o sistema sucumbe sem dar as respostas necessárias para a sociedade.

Vejam o Brasil. Temos uma imensa população carcerária, mas muito poucos homicidas. É o crime mais grave, mas a polícia fica correndo atrás de traficante, prendendo traficante e nao consegue evitar nem o tráfico, nem homicídios.

Hoje em dia a grande maioria dos homicídios do Brasil sequer tem os autores identificados, que dirá julgados, que dirá condenados.

Nao se trata de um debate moral, sobre a maconha ou maconheiros. É mais sério do que isso.

A legalização é necessária.

O efeito Luciana Genro

A grande imprensa tem focado em apenas 3 candidaturas à Presidência, mas pouco ou nada de novo tem surgido dos discursos eleitorais apresentados até agora por Dilma Roussef, Aécio Neves ou Eduardo Campos.

É mais do mesmo.

Dilma se apresenta usando métodos da política tradicional, fazendo valer as armas de quem é governo e com um discurso de continuidade.

O discurso de Aécio Neves de gestão e moralidade nao deve levantar voo nem mesmo no aeroporto que ele mandou fazer nas terras do seu tio.

Eduardo e Marina que tinham pinta de apresentar algum projeto palatável, mal conseguem se acertar entre eles.

Nenhum dos três principais candidatos se manifestou contundentemente sobre como enfrentar a criminalidade.

Daí a importância de prestar atenção nas pautas trazidas por candidaturas como de Luciana Genro do PSOL, que até agora é a única que tem pautado um verdadeiro debate sobre a política criminal brasileira, que atualmente á baseada no proibicionismo e na ineficiente guerra às drogas.

Independente de quem ganhe, tá na hora do Brasil enfrentar esse debate, e nada melhor que o período eleitoral para isso.

Tá na hora da Segurança

Mesmo longe do Rio Grande e do Brasil, eu tenho acompanhado atentamente os debates sobre as eleições desse ano.

Uma pena que um dos principais temas, que é o da segurança pública não esteja sendo tratado.

Soa absurdo que todos os candidatos, sejam governistas ou de oposição, tenham na ponta da língua dados de PIB, juros, metas de inflação e variação do dólar, e por outro lado deixem de enfrentar os números da criminalidade.

Em 2013 foram mais 50 mil homicídios em todo o país. Isso equivale a quase 15% dos homicídios do mundo.

Pior de tudo é que a grande maioria desses homicídios não é solucionado pela nossa polícia.

A consequência disso é trágica. O clima de impunidade se multiplica.

Se matar alguém no Brasil tem uma grande chance de não dar em nada, o que sobra para outros crimes como roubos, assaltos, sequestros…

Não há dúvidas que nos últimos 20 anos houve um grande avanço na economia, na educação e até na saúde.

Tá na hora da segurança pública verdadeiramente entrar na agenda política do Brasil.

Felipão

Ser gremista por esses tempos naoo tem sido uma das coisas mais fáceis. 13 anos sem ganhar um título fora do Rio Grande do Sul deixa qualquer torcedor impaciente.

Com esse fuso horário de 5 horas, já perdi as contas das vezes que fiquei acordado até alta madrugada para acompanhar os seguidos fracassos e desilusões que o tricolor tem proporcionado.

Pois essa ida do Felipão pro comando do Grêmio reascende a esperança.

Talvez se a seleção brasileira não tivesse tomado aquele bangornasso de 7a 1, Felipão provavelmente não cogitaria a hipótese de assumir o Grêmio.

Por incrível que pareça, a estas alturas do campeonato, hoje Felipão precisa mais do Grêmio do que o Grêmio de Felipão.

Eu me prestei a assistir os quase 50 minutos da coletiva de apresentação e isso ficou claro. Felipão assume em busca de carinho.

Gostei de ver. O velho e humilde Felipão está de volta. Aquela postura arrogante da Copa do Mundo já é coisa do passado. Os 7 a 1 fez efeito.

Aqui na Espanha foi a primeira vez que eu vi o nome do Grêmio nos noticiários.

Graças a Felipão.

Que outras manchetes venham!

 

 

 

Ranking de Universidades

Essa semana saiu um mais ranking das 1000 melhores das Universidades do mundo, e o Brasil teve 18 de suas instituições apontadas, entre elas a Universidade Federal de Santa Maria.

A melhor colocada entre as Brasileiras é a USP, Universidade de São Paulo, que no ranking geral ficou em centésimo trigésimo primeiro lugar, bem longe da segunda colocada, que foi a Federal do Rio de Janeiro, na posição 329..

Do Rio Grande do Sul, apenas a UFRGS na posição 585 e a nossa UFSM na posição 919.

A UB, Universidade de Barcelona, que é onde eu estou fazendo o meu mestrado em Criminologia, ficou em primeiro lugar entre as 41 Universidades Espanholas ranqueadas.

No ranking geral ficou em centésimo vigésimo lugar, onze posições na frente da USP, a primeira do Brasil.

Daqui de Barcelona também figuram outras três instituições, a Universidade Pompeu Fabra,  a UAB, a Universidade Aberta de Barcelona e a Politécnica da Catalunha.

Rankings sao rankings, e devem ser tomados com cuidados.

Mas uma coisa fica clara, todas as Universidades Brasileiras são públicas, resultado dos investimentos na Educação Superior dos últimos 10 anos.

Santa Maria sempre ganha com isso!

Uma ótima quinta pra todos e eu volto amanha.

Santander

E o que se pode falar desse papelão feito pelo Banco Santander, que há poucos dias enviou uma cartinha para os seus mais importantes correntistas para alertar de eventual risco nos investimentos caso o a Presidenta Dilma Rousseff fosse reeleita.

Quer dizer que esses bancos estrangeiros, além de lucrar com o dinheiro do Brasil querem especular com as eleições do país!

Logo o Banco Santander, um banco espanhol, e chegou ao Brasil durante o período das grandes privatizações.

Para quem não lembra, o Santander comprou entre outros bancos, o Banco Meridional, que era o sucessor dos antigo Bancos Sulbrasileiro e Banco da Província. Todos bancos públicos!

O Presidente do Santander minimiza, e coloca a culpa em um analista, que já foi demitido.

Não é pra menos, hoje mais de 30% do lucro do Santander vem das operações no mercado Brasileiro.

Eu fico imaginando se esse comunicado fosse de um Banco Público. Será que a oposição ficaria calada? Será que iriam ficar satisfeitos com a queda de um analista?

São muitos pesos e muitas medidas.

Há que diferenciar o povo judeu do Estado de Israel

Esse massacre de Palestinos na Faixa de Gaza pelo inescrupuloso exército de Israel têm aberto alguns debates interessantes, mas outros um tanto quanto insensatos e tendenciosos.

Tanto aqui na Espanha como aí no Brasil, há um montão de gente que se equivoca em colocar a culpa nos judeus por esse genocídio.

Eu entendo que o caminho nao é por aí.

Desde que foi criado ao final da segunda guerra, Israel é um estado que mata. Terrorismo em série.

Sozinho, já desobedeceu mais resoluções das Nações Unidas que a soma de todos os demais países.

Mas é importante não confundir o repúdio a Israel com questões de ordem religiosa. Não se trata de ser contra judeus, mas contra o Estado de Israel. É completamente diferente.

A questão religiosa que está entranhada não deve ser evocada.

Eu repudio o racismo em todas as suas formas, e como tal repudio também o racismo contra judeus.

As ações de Israel não são ações do povo judeu, que como tal deve ser respeitado.

Ser contra Israel não significa ser contra os judeus, muito embora o governo de Israel tente fazer crer que esta é uma ‘guerra santa’. Não é.

israel-palestina

Os canalhas contra os imigrantes

É deplorável a forma como os setores mais conservadores e reacionários tem se manifestado contrariamente à postura do governo brasileiro na questão das imigrações de haitianos e ganenses.

O que mais me impressiona, é que antigamente parece que as pessoas tinham um certo recato de dizerem barbaridades. Havia um certo pudor em expor publicamente os preconceitos.

Pois parece que a coisa mudou.

Tá de parabéns o governo Brasileiro em acolher esses homens e mulheres, que diante do caos que vivem os seus países, escolheram o Brasil como suas novas casas.

Eu sou um imigrante. Aqui na Espanha eu sinto na pele o preconceito que o continente europeu tem com africanos, latino-americanos e asiáticos.

É uma luta constante.

Ser contra a imigração é ser contra pessoas.

Nao existe miserável de Gana ou miserável do Haiti.

Ser contra ganeses a haitianos por sua baixa qualificação, por sua cor, por suas opções religiosas… é uma tremenda canalhice.

Dizer que não precisamos de mais pobres, é a maior das pobrezas. A pobreza de espírito.

Viva a nossa diversidade!

 

Nesse vídeo, o colunista gaúcho Políbio Braga se insurge contra os imigrantes por sua cor, sua religião e pelo fato de serem pobres. Absurdo.

 

Os anúncios de apreensão de drogas

A cada dia que passa a atual política de drogas gera mais vítimas.

O número de usuários cresce, na mesma medida em que o crime organizado ganha forças e o sistema repressivo se mostra ineficiente.

Mas o pior de tudo isso é quando a polícia, ao invés de atrapalhar, facilita a vida do traficante.

No afã de dar uma resposta para a sociedade, a polícia se equivoca. Na falta de evidências de que esteja fazendo um bom trabalho, quer mostrar eficiência vindo para a mídia e apresentando números.

Números de apreensões de drogas.

E o que nao faltam sao policiais para posarem ao lado da droga apreendida para aparecer no jornal.

Esquecem que existe a lei da oferta e da procura. A cada apreensão anunciada, diminui a oferta de droga no mercado, mas a demanda continua a mesma. Resultado: aumenta o preço da droga e a lucratividade dos traficantes.

Anunciar a quantidade de droga apreendida nao traz nenhum beneficio para a sociedade.

Tá mais do que na hora da polícia brasileira repensar nessa estratégia de comunicação, deixando de servir de indexador.

Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc)

Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc)

 

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