Arquivos - agosto 2014

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Presidenta ou Presidente?
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Patrulha digital
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O crime compensa?
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A torpeza não pode ser tolerada
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Legalize Já
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O efeito Luciana Genro
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Tá na hora da Segurança
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Felipão

Presidenta ou Presidente?

Pela primeira vez na história do país, entre as cinco principais candidaturas a presidência da República, há 3 mulheres.

Juntas, Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro têm mais que o dobro da soma das intenções de votos dos candidatos homens.

No entanto, a realidade para os demais cargos públicos ainda está muito longe da equidade.

Embora hoje as mulheres representem mais de metade da população brasileira, a sua representação no congresso nacional ainda é bastante pequena, de pouco mais de 10 por cento.

Poucas vereadoras e deputadas, pouquíssimas senadoras, governadoras e prefeitas.

A lei eleitoral obriga os partidos políticos a destinar pelo menos 30% das candidaturas para as mulheres. Alguns partidos como o PT e o PSOL vão além, e já estabeleceram regras internas para garantir que 50% das candidaturas aos parlamentos sejam de mulheres.

Ano a ano as mulheres felizmente vem ganhando mais espaço na política, o que reflete também nas posições de comando na iniciativa privada.

No meio disso tudo, apenas uma confusão: Dilma Roussef e Luciana Genro se apresentam como candidatas a Presidenta, Marina Silva como candidata a Presidente.

Não sei qual o certo ou errado, particularmente, acho Presidenta mais bonito.

Patrulha digital

Durante todo o final de semana, e até mesmo nessa segunda-feira, a imprensa brasileira repercutiu exaustivamente todos os desdobramentos da morte de Eduardo Campos.

Além da natural cobertura sobre as investigações sobre o acidente aéreo, e também das articulações em torno da sua substituição na corrida presidencial, chama a atenção o destaque dado para a fofocas em torno do velório, que no final das contas acabou se transformando em um grande ato político.

Militantes e militontos de todos os partidos passaram a interpretar fotos, em especial algumas em que Marina Silva está sorrindo, sugerindo desrespeito.

Ora! E desde quando sorrir em velório é um desrespeito com o defunto ou com a família. Que atire a primeira pedra aquele que, mesmo perdendo um parente próximo, por algum momento não deixou escapar um sorriso.

Ocorre que hoje em dia, com essa quantidade de máquinas digitais, fica fácil tirar uma foto e dar a ela o contexto desejado.

Seja em velório, seja em qualquer cerimônia, as pessoas ficam sérias, sorriem, bocejam… enfim, têm expressão facial.

Desrespeito não é sorrir em velório, mas fotografar sorrateiramente um sorriso, criar uma legenda de impacto pra lançar a polêmica.

O moralismo e a incessante patrulha digital cansam.

O crime compensa?

Em novembro de 2013, em uma fazenda em Afonso Cláudio (ES) a Polícia Federal apreendeu 445 de cocaína em um helicóptero de propriedade da família do Senador Zezé Perrella (PDT-MG) e seu filho Deputado Estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG).

Um dos pilotos era assessor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, lotado no gabinete do Deputado Gustavo Perrella.

Estranhamente, o inquérito foi encerrado em menos de 6 meses e todas as pessoas presas em flagrante foram inocentadas.

Drogas, crime organizado, financiamento de campanhas…  há muita coisa em aberto.

Coincidentemente, o Senador Zezé Perrella e seu filho Deputado Gustavo Perrella são apoiadores incondicionais de Aécio Neves (PSDB), aquele que construiu um aeroporto na fazenda do seu tio no Município de Cláudio (MG).

Ah… a distância de Cláudio (MG) e da fazenda em Afonso Cláudio (MG) eu não sei, mas vale averiguar.

 

Vale muito a pena dar uma olhada nesse excelente documentário do DCM, com reportagem do jornalista Joaquim de Carvalho.

 

A torpeza não pode ser tolerada

Me adaptando ao costume local, na tarde desta quarta-feira eu estava fazendo a siesta quando recebi uma mensagem por whatsapp anunciando a morte do candidato Eduardo Campos.

Imediatamente me conectei ao twitter e também ao facebook para saber mais sobre o assunto.

Eis a minha surpresa.

Ainda eram raras as notícias ou informações precisas sobre o terrível acidente que tirou a vida do presidenciável, de assessores e pilotos do jatinho. No entanto já pipocavam as mais descabidas ilações levianas ou até pior, piadinhas jocosas sobre o acidente. Gente da minha rede de contatos que questionava: porque não a Dilma? porque não o Aécio? ou ainda sugerindo que essa tragédia pudesse ter sido causada por um desses, com fins eleitorais.

A vida é muito mais do que isso.

Fazer piada ou ilações com a morte de presidenciáveis ou ídolos de times adversários é inadmissível.

Falta de sensibilidade. Falta de educação.

O melhor é ficar longe de gente como essa. Vez por outra a gente precisa fazer uma limpa, deixar de seguir ou manter contato com determinadas pessoas.

Tal como limpar gavetas, faz bem para a alma jogar se desapegar daquilo e daqueles que nada acrescentam.

Legalize Já

Finalmente, parece mesmo que a insensatez da tal guerra contra as drogas tá chegando ao fim.

Já sao muitos os sinais que indicam nessa direção, então há dúvidas que o vanguardismo do governo uruguaio liderado por José Mujica alavancou ainda mais esse debate a nível global.

Na semana passada foi a vez do Jornal New York Times defender em editorial  a idéia da legalização dos derivados da canabis, com a maconha, o haxixe e a marijuana.

Hoje, os efeitos da guerra contra as drogas sao muito mais nefastos do que a justificativa dessa cruzada.

A cada dia que passa o crime organizado avança e o sistema sucumbe sem dar as respostas necessárias para a sociedade.

Vejam o Brasil. Temos uma imensa população carcerária, mas muito poucos homicidas. É o crime mais grave, mas a polícia fica correndo atrás de traficante, prendendo traficante e nao consegue evitar nem o tráfico, nem homicídios.

Hoje em dia a grande maioria dos homicídios do Brasil sequer tem os autores identificados, que dirá julgados, que dirá condenados.

Nao se trata de um debate moral, sobre a maconha ou maconheiros. É mais sério do que isso.

A legalização é necessária.

O efeito Luciana Genro

A grande imprensa tem focado em apenas 3 candidaturas à Presidência, mas pouco ou nada de novo tem surgido dos discursos eleitorais apresentados até agora por Dilma Roussef, Aécio Neves ou Eduardo Campos.

É mais do mesmo.

Dilma se apresenta usando métodos da política tradicional, fazendo valer as armas de quem é governo e com um discurso de continuidade.

O discurso de Aécio Neves de gestão e moralidade nao deve levantar voo nem mesmo no aeroporto que ele mandou fazer nas terras do seu tio.

Eduardo e Marina que tinham pinta de apresentar algum projeto palatável, mal conseguem se acertar entre eles.

Nenhum dos três principais candidatos se manifestou contundentemente sobre como enfrentar a criminalidade.

Daí a importância de prestar atenção nas pautas trazidas por candidaturas como de Luciana Genro do PSOL, que até agora é a única que tem pautado um verdadeiro debate sobre a política criminal brasileira, que atualmente á baseada no proibicionismo e na ineficiente guerra às drogas.

Independente de quem ganhe, tá na hora do Brasil enfrentar esse debate, e nada melhor que o período eleitoral para isso.

Tá na hora da Segurança

Mesmo longe do Rio Grande e do Brasil, eu tenho acompanhado atentamente os debates sobre as eleições desse ano.

Uma pena que um dos principais temas, que é o da segurança pública não esteja sendo tratado.

Soa absurdo que todos os candidatos, sejam governistas ou de oposição, tenham na ponta da língua dados de PIB, juros, metas de inflação e variação do dólar, e por outro lado deixem de enfrentar os números da criminalidade.

Em 2013 foram mais 50 mil homicídios em todo o país. Isso equivale a quase 15% dos homicídios do mundo.

Pior de tudo é que a grande maioria desses homicídios não é solucionado pela nossa polícia.

A consequência disso é trágica. O clima de impunidade se multiplica.

Se matar alguém no Brasil tem uma grande chance de não dar em nada, o que sobra para outros crimes como roubos, assaltos, sequestros…

Não há dúvidas que nos últimos 20 anos houve um grande avanço na economia, na educação e até na saúde.

Tá na hora da segurança pública verdadeiramente entrar na agenda política do Brasil.

Felipão

Ser gremista por esses tempos naoo tem sido uma das coisas mais fáceis. 13 anos sem ganhar um título fora do Rio Grande do Sul deixa qualquer torcedor impaciente.

Com esse fuso horário de 5 horas, já perdi as contas das vezes que fiquei acordado até alta madrugada para acompanhar os seguidos fracassos e desilusões que o tricolor tem proporcionado.

Pois essa ida do Felipão pro comando do Grêmio reascende a esperança.

Talvez se a seleção brasileira não tivesse tomado aquele bangornasso de 7a 1, Felipão provavelmente não cogitaria a hipótese de assumir o Grêmio.

Por incrível que pareça, a estas alturas do campeonato, hoje Felipão precisa mais do Grêmio do que o Grêmio de Felipão.

Eu me prestei a assistir os quase 50 minutos da coletiva de apresentação e isso ficou claro. Felipão assume em busca de carinho.

Gostei de ver. O velho e humilde Felipão está de volta. Aquela postura arrogante da Copa do Mundo já é coisa do passado. Os 7 a 1 fez efeito.

Aqui na Espanha foi a primeira vez que eu vi o nome do Grêmio nos noticiários.

Graças a Felipão.

Que outras manchetes venham!

 

 

 

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