Autor - Ricardo Lovatto Blattes

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Este mundo es de la gente
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Começando a meditar
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TAPANDO BURACOS
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Clandestino
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NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS
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WAR
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Presidenta ou Presidente?
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Patrulha digital
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O crime compensa?
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A torpeza não pode ser tolerada
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Legalize Já
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O efeito Luciana Genro
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Tá na hora da Segurança

Começando a meditar

Há um tempo atrás eu estava bastante inquieto com os rumos da minha vida pessoal e profissional, quando um amigo próximo me disse que estava fazendo um curso chamado Eneagrama. Me interessei. 

Ansiado por encontrar respostas e entender um pouco mais de mim mesmo, encontrei no Eneagrama uma ferramenta válida de identificação de perfil, 

A partir do reconhecimento do meu perfil e padrão de comportamento, passei a buscar desenvolver a neutralização dos meus vícios emocionais e contato comigo mesmo por meio da virtude da sobriedade. Buscar reconhecer o que eu realmente quero a partir de mim mesmo, não por mais por meio do prazer imediato, permitindo uma integração maior com os meus sentimentos, pensamentos e ações.

E uma das formas indicadas era a prática de meditação. 

Morando em Santa Maria – RS, não são muitas as possibilidades que se tem de aprender a meditar. Cheguei a buscar algumas alternativas a partir da Yoga, mas não era o que eu buscava. 

Eis que por estas coisas do Cosmos, um dia minha esposa chega em casa e diz que uma colega dela de trabalho tinha feito um curso de meditação de dez dias e me indicou o link do Vipassana.

Imediatamente fui buscar na web e li um pouco mais sobre esse curso de dez dias em clausura, silêncio, meditação e vegetarianismo. Me pareceu uma ótima oportunidade para aprender a técnica.

Enquanto colegas, amigos e amigas me diziam que o mais difícil seria ficar dez dias quieto, ou sem comer carne, o mais difícil foi encontrar dez dias para poder ir e deixar as coisas razoavelmente estruturadas no trabalho e em casa. Era só o começo. 

Os centros de meditação Vipassana estão espalhados pelo mundo todo, são quase duas centenas por todos os continentes. No Brasil, apenas dois, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Para nós gaúchos que vivemos no extremo sul desse país continental, a opção mais próxima era ao sul de Buenos Aires, em Brandsen.

Mais do que em silêncio, em nobre silêncio. Nesses dias de retiro não era permitido conversar, tão pouco gesticular ou se comunicar de qualquer forma com os demais meditadores. Uma experiência fantástica, uma viagem para dentro de mim mesmo.

Ainda pretendo falar muito sobre a experiência de meditar, mas por ora indico este vídeo do S.N.Goenka legendado em português, explicando um pouco da técnica. 

 

 

TAPANDO BURACOS

Já passara da metade do mês de julho daquele dois mil e dezessete e o frio custava a chegar naquela localidade do hemisfério sul rodeada por morros e com autoridades que sequer sentiam vergonha de seguir iludindo a população sobre a conclusão de um hospital público.  Depois de quase um mês sem chuvas, as temperaturas de julho beiravam os trinta graus e seja na saúde ou no trânsito, aquelas autoridades apenas iam tapando buracos!

Dez meses antes, em meio ao mais acirrado segundo turno do país, eles pediam votos e diziam que com os poderes públicos alinhados seria possível concluir aquele sonho que recém tivera suas obras terminadas.  Aquela turma de jovens ou antigos políticos conservadores fazia crer que seria mais seguro estar com eles, que andavam juntos, do que com o outro político, de ideologia distinta e cujo partido havia sido deposto em um recente golpe parlamentar.  A cidade estava dividida e machucada, impaciente com a impunidade e carente de ações governamentais. Entre a mudança e a renovação, por poucos votos venceu a expectativa de que a união com governador, seus secretários e o apoio de alguns ministros e deputados golpistas pudesse ajudar a inaugurar aquele hospital. E assim a cidade acabou gerando o seu primeiro prefeito-secretário.

 Depois do pleito, a opinião pública interessava menos aos deputados e ministros golpistas, ao governador, aos secretários e ao prefeito-secretário. Diante de uma conjuntura de crise, hospital público com dinheiro público seria incompatível, e nesse caso o melhor era deixar aquela obra parada, depreciada o suficiente para poder ser repassada para alguma entidade privada amiga que pudesse trabalhar com as ditas eficiência, eficácia e efetividade que segundo eles, a gestão pública não tinha.  Aquelas autoridades eram assim, venais! Mas que não digam que eles não sabiam o que faziam. 

E precedido de uma leve chuva dominical,  o frio finalmente chegara naquele julho de dois mil e dezessete, dessa vez trazido por uma massa polar, e aquelas autoridades seguiam desavergonhadamente tentando iludir uns aos outros, falando em renovação, ética, combate à corrupção, amor e humildade, mas no fundo apenas seguiam tapando buracos criados pela chuva, pelo frio ou por eles mesmos.

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

A ninguém é dado o direito de beneficiar-se da própria torpeza. Este é um princípio do direito, mas não da política.
A cassação de Eduardo Cunha é feia, baixa e suja como ele.
Assim agem os outrora parceiros, mas também seus adversários.
Nessas alturas, os golpistas cassam o Cunha por falta de lealdade a ele, e a esquerda progressista o cassa na esperança de que a sua falta de lealdade destrua o governo golpista com delações bombásticas.
Ninguém vale nada mesmo, e na política vale tudo, até mesmo se beneficiar da própria torpeza.
Quem se beneficia com a queda do Cunha? Eis a questão!

WAR

Quando conheci WAR, o jogo de tabuleiro, era uma confusão para jogar.  Um jogo demorado, com um monte de dados, um monte de peças e um tabuleiro nem sempre estável. E ainda assim, gostei.

Eis que há uns 10 anos atrás, conheci WARonline. A mesma dinâmica do jogo de tabuleiro, com a vantagem de que não há peças, cartas nem dados para se atrapalhar, e a demora pode ser prevista. Segue a estratégia e a indignação com o resultado dos dados.

Já tive mais jogos, hoje em dia mantenho apenas dois simultâneos.

Captura de Tela 2016-08-26 às 01.56.03

Esse jogo aí começou há mais de dois meses, com a média de uma jogada por dia. Éramos cinco, agora somos quatro que seguem vivos na 63ª. Há algumas semanas, vendo que isso iria longe, tenho me prestado a dar uma contada nos exércitos e acompanhar a evolução.

Eu sou o Azul e comecei a monitorar quando o jogo estava na mão do Amarelo, que estava com a totalidade das Américas do Sul e Norte, entrando com força em Islândia e Vladvostok enquanto o Branco estava com a África, eu com Oceania e Preto e Vermelho com o que restava de Europa e Ásia.

Naquele momento o meu objetivo era sobreviver ao Amarelo, e por isso algumas alianças eram necessárias. Ora com o Preto, ora com o Vermelho e ora com o Branco. O Amarelinho amarelão não aguentou, ficou brabo e desistiu. Mais uma vez a vantagem do WARonline, impede que meninos mimados façam beiço e desarrumem todo o tabuleiro.

Mas o cara foi embora, apertou no botãozinho do desistir e do foda-se, deixando um monte de exércitos sobre o mapa.

Eu tenho convicção de que em jogos, nem sempre a lógica prevalece, e daí a graça. Mas um pouco de acompanhamento matemático não poderia atrapalhar.

Enfim, cheguei vivo e com ao redor de 30% dos 1500 exércitos desta 63ª rodada, e ainda acho que vai longe. Em proporções, tenho mais ou menos o mesmo tamanho que tinha quando o Amarelo amarelão estava vivo.

Quem será o próximo a morrer? Ou será que alguém pode matar o jogo com os três vivos?

Acho que vai longe.

Captura de Tela 2016-08-26 às 02.32.17

 

 

 

Presidenta ou Presidente?

Pela primeira vez na história do país, entre as cinco principais candidaturas a presidência da República, há 3 mulheres.

Juntas, Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro têm mais que o dobro da soma das intenções de votos dos candidatos homens.

No entanto, a realidade para os demais cargos públicos ainda está muito longe da equidade.

Embora hoje as mulheres representem mais de metade da população brasileira, a sua representação no congresso nacional ainda é bastante pequena, de pouco mais de 10 por cento.

Poucas vereadoras e deputadas, pouquíssimas senadoras, governadoras e prefeitas.

A lei eleitoral obriga os partidos políticos a destinar pelo menos 30% das candidaturas para as mulheres. Alguns partidos como o PT e o PSOL vão além, e já estabeleceram regras internas para garantir que 50% das candidaturas aos parlamentos sejam de mulheres.

Ano a ano as mulheres felizmente vem ganhando mais espaço na política, o que reflete também nas posições de comando na iniciativa privada.

No meio disso tudo, apenas uma confusão: Dilma Roussef e Luciana Genro se apresentam como candidatas a Presidenta, Marina Silva como candidata a Presidente.

Não sei qual o certo ou errado, particularmente, acho Presidenta mais bonito.

Patrulha digital

Durante todo o final de semana, e até mesmo nessa segunda-feira, a imprensa brasileira repercutiu exaustivamente todos os desdobramentos da morte de Eduardo Campos.

Além da natural cobertura sobre as investigações sobre o acidente aéreo, e também das articulações em torno da sua substituição na corrida presidencial, chama a atenção o destaque dado para a fofocas em torno do velório, que no final das contas acabou se transformando em um grande ato político.

Militantes e militontos de todos os partidos passaram a interpretar fotos, em especial algumas em que Marina Silva está sorrindo, sugerindo desrespeito.

Ora! E desde quando sorrir em velório é um desrespeito com o defunto ou com a família. Que atire a primeira pedra aquele que, mesmo perdendo um parente próximo, por algum momento não deixou escapar um sorriso.

Ocorre que hoje em dia, com essa quantidade de máquinas digitais, fica fácil tirar uma foto e dar a ela o contexto desejado.

Seja em velório, seja em qualquer cerimônia, as pessoas ficam sérias, sorriem, bocejam… enfim, têm expressão facial.

Desrespeito não é sorrir em velório, mas fotografar sorrateiramente um sorriso, criar uma legenda de impacto pra lançar a polêmica.

O moralismo e a incessante patrulha digital cansam.

O crime compensa?

Em novembro de 2013, em uma fazenda em Afonso Cláudio (ES) a Polícia Federal apreendeu 445 de cocaína em um helicóptero de propriedade da família do Senador Zezé Perrella (PDT-MG) e seu filho Deputado Estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG).

Um dos pilotos era assessor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, lotado no gabinete do Deputado Gustavo Perrella.

Estranhamente, o inquérito foi encerrado em menos de 6 meses e todas as pessoas presas em flagrante foram inocentadas.

Drogas, crime organizado, financiamento de campanhas…  há muita coisa em aberto.

Coincidentemente, o Senador Zezé Perrella e seu filho Deputado Gustavo Perrella são apoiadores incondicionais de Aécio Neves (PSDB), aquele que construiu um aeroporto na fazenda do seu tio no Município de Cláudio (MG).

Ah… a distância de Cláudio (MG) e da fazenda em Afonso Cláudio (MG) eu não sei, mas vale averiguar.

 

Vale muito a pena dar uma olhada nesse excelente documentário do DCM, com reportagem do jornalista Joaquim de Carvalho.

 

A torpeza não pode ser tolerada

Me adaptando ao costume local, na tarde desta quarta-feira eu estava fazendo a siesta quando recebi uma mensagem por whatsapp anunciando a morte do candidato Eduardo Campos.

Imediatamente me conectei ao twitter e também ao facebook para saber mais sobre o assunto.

Eis a minha surpresa.

Ainda eram raras as notícias ou informações precisas sobre o terrível acidente que tirou a vida do presidenciável, de assessores e pilotos do jatinho. No entanto já pipocavam as mais descabidas ilações levianas ou até pior, piadinhas jocosas sobre o acidente. Gente da minha rede de contatos que questionava: porque não a Dilma? porque não o Aécio? ou ainda sugerindo que essa tragédia pudesse ter sido causada por um desses, com fins eleitorais.

A vida é muito mais do que isso.

Fazer piada ou ilações com a morte de presidenciáveis ou ídolos de times adversários é inadmissível.

Falta de sensibilidade. Falta de educação.

O melhor é ficar longe de gente como essa. Vez por outra a gente precisa fazer uma limpa, deixar de seguir ou manter contato com determinadas pessoas.

Tal como limpar gavetas, faz bem para a alma jogar se desapegar daquilo e daqueles que nada acrescentam.

Legalize Já

Finalmente, parece mesmo que a insensatez da tal guerra contra as drogas tá chegando ao fim.

Já sao muitos os sinais que indicam nessa direção, então há dúvidas que o vanguardismo do governo uruguaio liderado por José Mujica alavancou ainda mais esse debate a nível global.

Na semana passada foi a vez do Jornal New York Times defender em editorial  a idéia da legalização dos derivados da canabis, com a maconha, o haxixe e a marijuana.

Hoje, os efeitos da guerra contra as drogas sao muito mais nefastos do que a justificativa dessa cruzada.

A cada dia que passa o crime organizado avança e o sistema sucumbe sem dar as respostas necessárias para a sociedade.

Vejam o Brasil. Temos uma imensa população carcerária, mas muito poucos homicidas. É o crime mais grave, mas a polícia fica correndo atrás de traficante, prendendo traficante e nao consegue evitar nem o tráfico, nem homicídios.

Hoje em dia a grande maioria dos homicídios do Brasil sequer tem os autores identificados, que dirá julgados, que dirá condenados.

Nao se trata de um debate moral, sobre a maconha ou maconheiros. É mais sério do que isso.

A legalização é necessária.

O efeito Luciana Genro

A grande imprensa tem focado em apenas 3 candidaturas à Presidência, mas pouco ou nada de novo tem surgido dos discursos eleitorais apresentados até agora por Dilma Roussef, Aécio Neves ou Eduardo Campos.

É mais do mesmo.

Dilma se apresenta usando métodos da política tradicional, fazendo valer as armas de quem é governo e com um discurso de continuidade.

O discurso de Aécio Neves de gestão e moralidade nao deve levantar voo nem mesmo no aeroporto que ele mandou fazer nas terras do seu tio.

Eduardo e Marina que tinham pinta de apresentar algum projeto palatável, mal conseguem se acertar entre eles.

Nenhum dos três principais candidatos se manifestou contundentemente sobre como enfrentar a criminalidade.

Daí a importância de prestar atenção nas pautas trazidas por candidaturas como de Luciana Genro do PSOL, que até agora é a única que tem pautado um verdadeiro debate sobre a política criminal brasileira, que atualmente á baseada no proibicionismo e na ineficiente guerra às drogas.

Independente de quem ganhe, tá na hora do Brasil enfrentar esse debate, e nada melhor que o período eleitoral para isso.

Tá na hora da Segurança

Mesmo longe do Rio Grande e do Brasil, eu tenho acompanhado atentamente os debates sobre as eleições desse ano.

Uma pena que um dos principais temas, que é o da segurança pública não esteja sendo tratado.

Soa absurdo que todos os candidatos, sejam governistas ou de oposição, tenham na ponta da língua dados de PIB, juros, metas de inflação e variação do dólar, e por outro lado deixem de enfrentar os números da criminalidade.

Em 2013 foram mais 50 mil homicídios em todo o país. Isso equivale a quase 15% dos homicídios do mundo.

Pior de tudo é que a grande maioria desses homicídios não é solucionado pela nossa polícia.

A consequência disso é trágica. O clima de impunidade se multiplica.

Se matar alguém no Brasil tem uma grande chance de não dar em nada, o que sobra para outros crimes como roubos, assaltos, sequestros…

Não há dúvidas que nos últimos 20 anos houve um grande avanço na economia, na educação e até na saúde.

Tá na hora da segurança pública verdadeiramente entrar na agenda política do Brasil.

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