Categoria - Política

Política é a arte de fazer as coisas acontecerem através da política. Da política representativa, política partidária, política econômica, política social, política fiscal, política agrária, política sanitária, política educacional, política cultural, política nuclear, política ambiental, política de desenvolvimento, política industrial, política de defesa, política comercial, política internacional e outras tantas formas de fazer política.

Disso e tudo mais se trata de política pura e dura.

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TAPANDO BURACOS
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NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS
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Presidenta ou Presidente?
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A torpeza não pode ser tolerada
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O efeito Luciana Genro
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Tá na hora da Segurança
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Os anúncios de apreensão de drogas
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Políticas do FMI
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Eleições PSOE
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Banco e Fundo do BRICS
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Protestos legítimos e farsas oportunistas
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Participação Popular
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Câmara de Honrarias Municipais

TAPANDO BURACOS

Já passara da metade do mês de julho daquele dois mil e dezessete e o frio custava a chegar naquela localidade do hemisfério sul rodeada por morros e com autoridades que sequer sentiam vergonha de seguir iludindo a população sobre a conclusão de um hospital público.  Depois de quase um mês sem chuvas, as temperaturas de julho beiravam os trinta graus e seja na saúde ou no trânsito, aquelas autoridades apenas iam tapando buracos!

Dez meses antes, em meio ao mais acirrado segundo turno do país, eles pediam votos e diziam que com os poderes públicos alinhados seria possível concluir aquele sonho que recém tivera suas obras terminadas.  Aquela turma de jovens ou antigos políticos conservadores fazia crer que seria mais seguro estar com eles, que andavam juntos, do que com o outro político, de ideologia distinta e cujo partido havia sido deposto em um recente golpe parlamentar.  A cidade estava dividida e machucada, impaciente com a impunidade e carente de ações governamentais. Entre a mudança e a renovação, por poucos votos venceu a expectativa de que a união com governador, seus secretários e o apoio de alguns ministros e deputados golpistas pudesse ajudar a inaugurar aquele hospital. E assim a cidade acabou gerando o seu primeiro prefeito-secretário.

 Depois do pleito, a opinião pública interessava menos aos deputados e ministros golpistas, ao governador, aos secretários e ao prefeito-secretário. Diante de uma conjuntura de crise, hospital público com dinheiro público seria incompatível, e nesse caso o melhor era deixar aquela obra parada, depreciada o suficiente para poder ser repassada para alguma entidade privada amiga que pudesse trabalhar com as ditas eficiência, eficácia e efetividade que segundo eles, a gestão pública não tinha.  Aquelas autoridades eram assim, venais! Mas que não digam que eles não sabiam o que faziam. 

E precedido de uma leve chuva dominical,  o frio finalmente chegara naquele julho de dois mil e dezessete, dessa vez trazido por uma massa polar, e aquelas autoridades seguiam desavergonhadamente tentando iludir uns aos outros, falando em renovação, ética, combate à corrupção, amor e humildade, mas no fundo apenas seguiam tapando buracos criados pela chuva, pelo frio ou por eles mesmos.

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

A ninguém é dado o direito de beneficiar-se da própria torpeza. Este é um princípio do direito, mas não da política.
A cassação de Eduardo Cunha é feia, baixa e suja como ele.
Assim agem os outrora parceiros, mas também seus adversários.
Nessas alturas, os golpistas cassam o Cunha por falta de lealdade a ele, e a esquerda progressista o cassa na esperança de que a sua falta de lealdade destrua o governo golpista com delações bombásticas.
Ninguém vale nada mesmo, e na política vale tudo, até mesmo se beneficiar da própria torpeza.
Quem se beneficia com a queda do Cunha? Eis a questão!

Presidenta ou Presidente?

Pela primeira vez na história do país, entre as cinco principais candidaturas a presidência da República, há 3 mulheres.

Juntas, Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro têm mais que o dobro da soma das intenções de votos dos candidatos homens.

No entanto, a realidade para os demais cargos públicos ainda está muito longe da equidade.

Embora hoje as mulheres representem mais de metade da população brasileira, a sua representação no congresso nacional ainda é bastante pequena, de pouco mais de 10 por cento.

Poucas vereadoras e deputadas, pouquíssimas senadoras, governadoras e prefeitas.

A lei eleitoral obriga os partidos políticos a destinar pelo menos 30% das candidaturas para as mulheres. Alguns partidos como o PT e o PSOL vão além, e já estabeleceram regras internas para garantir que 50% das candidaturas aos parlamentos sejam de mulheres.

Ano a ano as mulheres felizmente vem ganhando mais espaço na política, o que reflete também nas posições de comando na iniciativa privada.

No meio disso tudo, apenas uma confusão: Dilma Roussef e Luciana Genro se apresentam como candidatas a Presidenta, Marina Silva como candidata a Presidente.

Não sei qual o certo ou errado, particularmente, acho Presidenta mais bonito.

A torpeza não pode ser tolerada

Me adaptando ao costume local, na tarde desta quarta-feira eu estava fazendo a siesta quando recebi uma mensagem por whatsapp anunciando a morte do candidato Eduardo Campos.

Imediatamente me conectei ao twitter e também ao facebook para saber mais sobre o assunto.

Eis a minha surpresa.

Ainda eram raras as notícias ou informações precisas sobre o terrível acidente que tirou a vida do presidenciável, de assessores e pilotos do jatinho. No entanto já pipocavam as mais descabidas ilações levianas ou até pior, piadinhas jocosas sobre o acidente. Gente da minha rede de contatos que questionava: porque não a Dilma? porque não o Aécio? ou ainda sugerindo que essa tragédia pudesse ter sido causada por um desses, com fins eleitorais.

A vida é muito mais do que isso.

Fazer piada ou ilações com a morte de presidenciáveis ou ídolos de times adversários é inadmissível.

Falta de sensibilidade. Falta de educação.

O melhor é ficar longe de gente como essa. Vez por outra a gente precisa fazer uma limpa, deixar de seguir ou manter contato com determinadas pessoas.

Tal como limpar gavetas, faz bem para a alma jogar se desapegar daquilo e daqueles que nada acrescentam.

O efeito Luciana Genro

A grande imprensa tem focado em apenas 3 candidaturas à Presidência, mas pouco ou nada de novo tem surgido dos discursos eleitorais apresentados até agora por Dilma Roussef, Aécio Neves ou Eduardo Campos.

É mais do mesmo.

Dilma se apresenta usando métodos da política tradicional, fazendo valer as armas de quem é governo e com um discurso de continuidade.

O discurso de Aécio Neves de gestão e moralidade nao deve levantar voo nem mesmo no aeroporto que ele mandou fazer nas terras do seu tio.

Eduardo e Marina que tinham pinta de apresentar algum projeto palatável, mal conseguem se acertar entre eles.

Nenhum dos três principais candidatos se manifestou contundentemente sobre como enfrentar a criminalidade.

Daí a importância de prestar atenção nas pautas trazidas por candidaturas como de Luciana Genro do PSOL, que até agora é a única que tem pautado um verdadeiro debate sobre a política criminal brasileira, que atualmente á baseada no proibicionismo e na ineficiente guerra às drogas.

Independente de quem ganhe, tá na hora do Brasil enfrentar esse debate, e nada melhor que o período eleitoral para isso.

Tá na hora da Segurança

Mesmo longe do Rio Grande e do Brasil, eu tenho acompanhado atentamente os debates sobre as eleições desse ano.

Uma pena que um dos principais temas, que é o da segurança pública não esteja sendo tratado.

Soa absurdo que todos os candidatos, sejam governistas ou de oposição, tenham na ponta da língua dados de PIB, juros, metas de inflação e variação do dólar, e por outro lado deixem de enfrentar os números da criminalidade.

Em 2013 foram mais 50 mil homicídios em todo o país. Isso equivale a quase 15% dos homicídios do mundo.

Pior de tudo é que a grande maioria desses homicídios não é solucionado pela nossa polícia.

A consequência disso é trágica. O clima de impunidade se multiplica.

Se matar alguém no Brasil tem uma grande chance de não dar em nada, o que sobra para outros crimes como roubos, assaltos, sequestros…

Não há dúvidas que nos últimos 20 anos houve um grande avanço na economia, na educação e até na saúde.

Tá na hora da segurança pública verdadeiramente entrar na agenda política do Brasil.

Os anúncios de apreensão de drogas

A cada dia que passa a atual política de drogas gera mais vítimas.

O número de usuários cresce, na mesma medida em que o crime organizado ganha forças e o sistema repressivo se mostra ineficiente.

Mas o pior de tudo isso é quando a polícia, ao invés de atrapalhar, facilita a vida do traficante.

No afã de dar uma resposta para a sociedade, a polícia se equivoca. Na falta de evidências de que esteja fazendo um bom trabalho, quer mostrar eficiência vindo para a mídia e apresentando números.

Números de apreensões de drogas.

E o que nao faltam sao policiais para posarem ao lado da droga apreendida para aparecer no jornal.

Esquecem que existe a lei da oferta e da procura. A cada apreensão anunciada, diminui a oferta de droga no mercado, mas a demanda continua a mesma. Resultado: aumenta o preço da droga e a lucratividade dos traficantes.

Anunciar a quantidade de droga apreendida nao traz nenhum beneficio para a sociedade.

Tá mais do que na hora da polícia brasileira repensar nessa estratégia de comunicação, deixando de servir de indexador.

Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc)

Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc)

 

Políticas do FMI

Sempre que há uma crise financeira ou de empregos no mundo, lá vem o  FMI com as suas soluções… e com a velha tática da recessão e arrocho. Assim foi o com o Brasil dos anos 90 e assim tem sido com a Europa desde 2008.

Pois a direitora do Fundo Monetário Internacional, a francesa Christine Lagarde segue empenhada em promover uma ampla reforma no mercado de trabalho para enfrentar as altas taxas de desemprego, sobretudo dos jovens.

E a a base dessa proposta de reforma sugerida pelo FMI é que na Europa se reconsiderem as políticas de salario mínimo, sustentando a redução poderia aumentar a oferta de empregos.

A Espanha sequer consegue cumprir a recomendação da União Européia, que diz que o Salário Mínimo deva representar 60% do salario médio do país. Atualmente o salario recomendado seria de 1000 euros, mas chega a apenas 750, o 15 entre os 27 da europa.

O verdadeiro problema da Espanha e da Europa nao sao os salários em si, quiçá os custos de contratação.

Definitivamente, com um salário de 35 mil euros mensais, Crisitine Lagarde sugerir que a saída para a crise é mexer no salario mínimo, é um absurdo.

 

Eleições PSOE

Pedro_Sanchez

Novo líder dos Socialistas, Pedro Sanchez

O sistema político espanhol é muito baseado na força dos partidos. Nas eleições, ao invés de se votar em pessoas, o voto é para uma lista partidária.

Daí a importância das eleições internas dos partidos, pois é a partir desse processo de escolha que será definido quem vai encabeçar as listas partidárias.

Pois enquanto o mundo inteiro estava de olho na final do mundial neste último domingo, os militantes do PSOE elegiam o seu novo Secretário-Geral, para liderar os socialistas nas próximas eleições gerais.

Desde a redemocratização da Espanha em 1975, o Partido Socialista já esteve frente ao governo espanhol por duas oportunidades, e em ambas com jovens políticos. Primeiro com Felipe Gonzales e depois com José Luiz Zapatero.

Pois mais uma vez o PSOE aposta em jovem político para liderar o partido. O eleito foi o deputado Pedro Sanchez, de 42 anos, economista e professor universitário de Madri, que terá como desafio voltar a unir o partido, que nas últimas eleições vem perdendo muito espaço e representatividade.

Diante de todas as incertezas, os socialistas celebram a mudança geracional com a esperança de que isto faça alguma diferença.

Banco e Fundo do BRICS

BRICS-logoTerminada a Copa do Mundo o Brasil vai continuar no centro das atenções internacionais por mais alguns dias.

Essa semana começa em Fortaleza a sexta Cúpula dos Brics, o grupo de países em desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Essa é a primeira vez que o Brasil sedia esse tipo de reunião, que além de reunir os chefes de estados e as representações das maiores empresas de cada país membro, também vai reunir os bancos de desenvolvimento e dezenas de diplomatas e empresários em busca de cooperações.

O Brics  ainda tem um caráter formal. Não tem nenhum documento constitutivo. Isso deve mudar na VI Conferência de Cúpula, quando os  cinco países devem assinar um acordo para a criação de um banco de desenvolvimento  e também um fundo de ajuda mútua.

O banco de desenvolvimento é um banco para financiar projetos em economias emergentes, já o fundo de ajuda mútua é um Arranjo de Contingente de Reservas, espécie de fundo anticrise do bloco. Um mini-FMI, de que fazem parte apenas esses 5 países.

Cada vez mais os países do BRICS são mais relevantes na economia mundial, e com certeza esses anúncios darão mais robustez a essas economias.

Sem dúvidas uma notícia para ser celebrada.

 

 

Ricardo Lovatto Blattes ©2016 - Desenvolvido por Opa Web