Patrulha digital

Durante todo o final de semana, e até mesmo nessa segunda-feira, a imprensa brasileira repercutiu exaustivamente todos os desdobramentos da morte de Eduardo Campos.

Além da natural cobertura sobre as investigações sobre o acidente aéreo, e também das articulações em torno da sua substituição na corrida presidencial, chama a atenção o destaque dado para a fofocas em torno do velório, que no final das contas acabou se transformando em um grande ato político.

Militantes e militontos de todos os partidos passaram a interpretar fotos, em especial algumas em que Marina Silva está sorrindo, sugerindo desrespeito.

Ora! E desde quando sorrir em velório é um desrespeito com o defunto ou com a família. Que atire a primeira pedra aquele que, mesmo perdendo um parente próximo, por algum momento não deixou escapar um sorriso.

Ocorre que hoje em dia, com essa quantidade de máquinas digitais, fica fácil tirar uma foto e dar a ela o contexto desejado.

Seja em velório, seja em qualquer cerimônia, as pessoas ficam sérias, sorriem, bocejam… enfim, têm expressão facial.

Desrespeito não é sorrir em velório, mas fotografar sorrateiramente um sorriso, criar uma legenda de impacto pra lançar a polêmica.

O moralismo e a incessante patrulha digital cansam.

Sobre o Autor

Ricardo Lovatto Blattes

Nascido em Santa Maria, formou-se em Direito e Ciências Contábeis.

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