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NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS
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Um passo além da Dona Brígida – Parte III

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS

A ninguém é dado o direito de beneficiar-se da própria torpeza. Este é um princípio do direito, mas não da política.
A cassação de Eduardo Cunha é feia, baixa e suja como ele.
Assim agem os outrora parceiros, mas também seus adversários.
Nessas alturas, os golpistas cassam o Cunha por falta de lealdade a ele, e a esquerda progressista o cassa na esperança de que a sua falta de lealdade destrua o governo golpista com delações bombásticas.
Ninguém vale nada mesmo, e na política vale tudo, até mesmo se beneficiar da própria torpeza.
Quem se beneficia com a queda do Cunha? Eis a questão!

Um passo além da Dona Brígida – Parte III

O ano de 2004 começou atrasado. Falo isso porque 2003 ainda não tinha acabado. Estudante de universidade federal é acostumado com isso, sempre tem uma greve para alterar todos os planos!

Seja pelas aulas ou por qualquer outro motivo, enquanto meus pais e a minha irmã foram passar férias na praia, eu fiquei em Santa Maria pensando na vida. Eis que eu e um colega do Direito bolamos um plano para irmos passar uns dias em Brasília, afinal de contas, era lá que ‘as coisas aconteciam’.

A internet ainda era discada naquela época, o que dicicultou um pouco o processo de busca por ‘oportunidades’, mas finalmente encontramos no site da Câmara dos Deputados um programa de estágio de curta duração para estudantes universitários de todo o Brasil, com hospedagem e alimentação por conta da Câmara.

Como requisito, precisávamos da indicação (leia-se assinatura) de um Deputado Federal para o tal estágio. Nem eu nem meu colega conhecíamos nenhum deputado, então resolvemos procurar o deputado de Santa Maria que mais a gente tinha afinidade de pensamento, o Paulo Pimenta.

Com a cara e com a coragem fomos ao gabinete dele com o pretexto de convidá-lo para um seminário. Era só o pretexto mesmo!

Não preciso dizer que nem o Deputado sabia que existia o tal estágio, e por ter sido nosso o mérito de ter descoberto, ele nem cogitou a hipótese de indicar outros estudantes para o Estágio-Visita!



O que era para ser apenas 10 dias acabou virando mais de dois meses. Nos primeiros dias ficamos hospedados no alojamento com os demais 60 estudantes, já o restante dos dias nós fomos para a casa de um baiano amigo da irmã do meu colega! (Até hoje eu não entendi direito como eu fui parar lá!)

Esse baiano tinha ido trabalhar com outro baiano que era o Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República e que hoje é o Governador da Bahia.

O Estágio-Visita acabou e nós estávamos com hospedagem e carro garantido (o baiano tinha motorista, então ele liberava o carro para a gente andar em Brasília). Ficamos então uns dias acompanhando o funcionamento do gabinete do deputado, até que através de uns contatos dele conseguimos vaga de estagiários na Comissão de Reforma do Judiciário da Câmara dos Deputados, da qual era presidente um outro deputado de São Paulo.



Apesar de não termos tido tanto contato com esse outro deputado, o estágio com a Reforma do Judiciário foi sensacional pela sua essência! Naquela época essa era uma das pautas nacionais, e sob esse pretexto tivemos a oportunidade de participar de reuniões com os Ministros, Senadores, Deputados, Procuradores, Juízes e Advogados que faziam aquela pauta ter relevância nacional.

Esse estágio me deu a visão da relevância que tem o poder público na vida quotidiana das pessoas. Depois do aprendizado de Londres, eu estava aprendendo muito na capital do meu país. Considero que essa ida à Brasilia foi o meu segundo inetrcâmbio, pela quantidade de coisas completamente novas que eu tive a chance de aprender.

Até então eu jamais tinha tido envolvimento com o poder público. Foi a partir dessa época que eu comecei a conhecer um pouco mais do seu funcionamento e em especial como funcionam as coisas em Brasília.

Brasília é a cidade dos contatos, eu tinha que dar um jeito de voltar para lá!

Em breve mais um capítulo dessa história e de como eu fui parar na Rua Dona Brígida.

Ricardo Lovatto Blattes ©2016 - Desenvolvido por Opa Web