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Um passo além da Dona Brígida – Parte IV
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Um passo além da Dona Brígida – Parte III
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Um passo além da Dona Brígida – Parte II
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Um passo além da Dona Brígida – Parte I

Um passo além da Dona Brígida – Parte IV

Tal como a minha ida para Londres mexeu com os meus planos e aspirações, a ida para o estágio em Brasília foi excelente para abrir a cabeça e ver novas oportunidades. Voltei para Santa Maria com um propósito, terminar as faculdades e me mandar para Brasília.

O negócio foi procurar um estágio que tivesse alguma coisa relacionada com administração pública, que até aquele momento eu não tinha nenhuma experiência.

Nas minhas andanças por Brasília eu acabei conhecendo o então Secretário de Gestão Ambiental de Santa Maria, e tão logo eu voltei fui procurá-lo para ver o que eu tinha que fazer para conseguir um estágio na Prefeitura, e descobri que todo o processo era feito através do CIEE.

No final das contas saiu melhor do que a encomenda, pois virei estagiário da Secretaria Geral de Governo, em um setor que tratava da elaboração das leis municipais e era responsável pela articulação com a Câmara de Vereadores para que essas leis fossem aprovadas. Para um acadêmico de Direito e Contábeis, nada melhor para entender como funcionava o setor público do que estar trabalhando diretamente com leis, orçamento e processo legislativo!

A estas alturas do campeonato eu já não tinha mais aulas de Direito, apenas duas manhãs de estágio obrigatório na Assistência Judiciária da UFSM e as aulas da Contábeis à noite. E quando dava tempo, um futebolzinho com a turma da faculdade.


Como o expediente da Prefeitura era só até às 13h30, resolvi começar o estágio no escritório do meu pai à tarde. Na verdade não foi propriamente um estágio, uma vez que eu fiquei muito mais envolvido com a parte administrativa do que com o direito propriamente dito. Acho que foi o melhor estágio que eu tive. Não é nada fácil trabalhar com o próprio pai, mas a gente aprende!

Afora uma ou outra ação trabalhista, fiquei responsável pela área de direito eleitoral. Era ano de eleições municipais com novas regras para campanhas. Era uma ação atrás da outra, todas com o prazo curtíssimo. Elitrizante!

Terminadas as eleições, dei um tempo para fazer a minha monografia. Aproveitei a experiência da eleição e escrevi sobre direito eleitoral. Tirei 10! A partir daí foi só festa até o dia da formatura!






Com o curso de direito acabado, fui convidado para continuar trabalhando na Prefeitura, desta vez na Secretaria de Planejamento, como Assessor Especial do novo Secretário Vilson Serro.

Lá eu pude trabalhar com algo completamente novo para mim, planejamento urbano. Além do projeto de lei do novo Plano Diretor da cidade, da transformação da Secretaria em uma Autarquia responsável pelo Planejamento de Longo Prazo, também participei em projetos para captação de recurso, entre eles um para obras de infra-estrutura através do Banco Mundial.

O Vilson Serro é um dos executivos mais competentes e preparados que eu já conheci. Certamente o mais completo com quem eu ja tive a oportunidade de trabalhar. Até hoje aprendo muito com ele, pois mantemos um contato bastante próximo.

Como um dos representantes da Prefeitura, tive a oportunidade de participar do Fórum Social Mundial de 2005, última vez que o evento foi realizado em Porto Alegre. O Fórum contou com 155 mil participantes representando mais de 6 mil organizações vindas de 135 países, além de milhares de jornalistas, voluntários e trabalhadores da Economia Popular Solidária. O evento foi fantástico pelos temas tratados, mas também pelas mais de 2.500 atividades autogestionas, que incluiam shows, exibições de filmes, vídeos e exposições de artes.

Depois de dias de intensos debates, palestras e colóquios, um dos momentos mais esperados foi o discurso do Presidente da Venezuela Hugo Chaves, que àquela época contava com muito mais credibilidade internacional do que hoje. Milhares de participantes se amontoaram para ouvi-lo por quase 3 horas no Ginásio Gigantinho e arredores, entre eles eu. Acho que hoje, diante dos fatos eu não perderia o meu tempo!




Fiquei seis meses trabalhando na Prefeitura. Foi o tempo suficiente para terminar todas as matérias da Contábeis, fazer as provas da OAB e receber solenemente das mãos do meu pai a minha Carteira de Advogado em uma cerimônia na sede da OAB.



Com tudo resolvido em Santa Maria e com a carteira da OAB em mãos, era chegada a hora de partir para Brasília.

Em breve mais um pouco de Brasília, da Dona Brígida e dos novos passos.

Um passo além da Dona Brígida – Parte III

O ano de 2004 começou atrasado. Falo isso porque 2003 ainda não tinha acabado. Estudante de universidade federal é acostumado com isso, sempre tem uma greve para alterar todos os planos!

Seja pelas aulas ou por qualquer outro motivo, enquanto meus pais e a minha irmã foram passar férias na praia, eu fiquei em Santa Maria pensando na vida. Eis que eu e um colega do Direito bolamos um plano para irmos passar uns dias em Brasília, afinal de contas, era lá que ‘as coisas aconteciam’.

A internet ainda era discada naquela época, o que dicicultou um pouco o processo de busca por ‘oportunidades’, mas finalmente encontramos no site da Câmara dos Deputados um programa de estágio de curta duração para estudantes universitários de todo o Brasil, com hospedagem e alimentação por conta da Câmara.

Como requisito, precisávamos da indicação (leia-se assinatura) de um Deputado Federal para o tal estágio. Nem eu nem meu colega conhecíamos nenhum deputado, então resolvemos procurar o deputado de Santa Maria que mais a gente tinha afinidade de pensamento, o Paulo Pimenta.

Com a cara e com a coragem fomos ao gabinete dele com o pretexto de convidá-lo para um seminário. Era só o pretexto mesmo!

Não preciso dizer que nem o Deputado sabia que existia o tal estágio, e por ter sido nosso o mérito de ter descoberto, ele nem cogitou a hipótese de indicar outros estudantes para o Estágio-Visita!



O que era para ser apenas 10 dias acabou virando mais de dois meses. Nos primeiros dias ficamos hospedados no alojamento com os demais 60 estudantes, já o restante dos dias nós fomos para a casa de um baiano amigo da irmã do meu colega! (Até hoje eu não entendi direito como eu fui parar lá!)

Esse baiano tinha ido trabalhar com outro baiano que era o Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República e que hoje é o Governador da Bahia.

O Estágio-Visita acabou e nós estávamos com hospedagem e carro garantido (o baiano tinha motorista, então ele liberava o carro para a gente andar em Brasília). Ficamos então uns dias acompanhando o funcionamento do gabinete do deputado, até que através de uns contatos dele conseguimos vaga de estagiários na Comissão de Reforma do Judiciário da Câmara dos Deputados, da qual era presidente um outro deputado de São Paulo.



Apesar de não termos tido tanto contato com esse outro deputado, o estágio com a Reforma do Judiciário foi sensacional pela sua essência! Naquela época essa era uma das pautas nacionais, e sob esse pretexto tivemos a oportunidade de participar de reuniões com os Ministros, Senadores, Deputados, Procuradores, Juízes e Advogados que faziam aquela pauta ter relevância nacional.

Esse estágio me deu a visão da relevância que tem o poder público na vida quotidiana das pessoas. Depois do aprendizado de Londres, eu estava aprendendo muito na capital do meu país. Considero que essa ida à Brasilia foi o meu segundo inetrcâmbio, pela quantidade de coisas completamente novas que eu tive a chance de aprender.

Até então eu jamais tinha tido envolvimento com o poder público. Foi a partir dessa época que eu comecei a conhecer um pouco mais do seu funcionamento e em especial como funcionam as coisas em Brasília.

Brasília é a cidade dos contatos, eu tinha que dar um jeito de voltar para lá!

Em breve mais um capítulo dessa história e de como eu fui parar na Rua Dona Brígida.

Um passo além da Dona Brígida – Parte II

A idéia inicial era ficar apenas um semestre em Londres, mas graças à Greve, consegui ficar mais de 9 meses. Eu não tinha data para voltar, estava a mercê da greve dos professores e funcionários da UFSM. Sempre me dei bem com essas greves!

A volta às aulas do Direito estava marcada para maio de 2002, e foi em função das aulas que eu resolvi voltar para Santa Maria, não sem antes dar uma bela rodada pela europa com o dinheiro economizado.

Como sorte nunca vem sozinha, logo que cheguei foram abertas algumas vagas para ingresso e reingresso no curso de Contábeis da UFSM, e eu passei no processo seletivo. De lambuja, consegui transferência do Direito noturno para o diurno, o que além de possibilitar que eu frequentasse a Contábeis à noite, adiantaria a data da minha formatura.

Mas ainda dava tempo para alguma coisa. Trabalhar em Londres me deu uma certa ‘independência financeira’, e eu não queria perder aquilo. Junto com um amigo ‘fui para o mundo dos negócios’. Montamos uma fabriqueta de sanduíches, que pela natureza das atividades acabou virando também atravessador de pastéis e alfajores.

A gente começou vendendo sanduíches de porta em porta na lojas e aos poucos fomos crescendo. Em pouco tempo nem eu nem meu sócio estávamos mais na rua. Dividimos as tarefas, ele ficou responsável pela produção e distribuição, e eu pelas vendas e relacionamento com os clientes.

No final a gente já estava vendendo sanduíches de tudo quanto é jeito. Além das vendas de rua, entregávamos sanduíches em dezenas de cantinas, padarias, restaurantes e lojas de conveniência.

Sem dúvidas essa foi mais uma das experiências marcantes que eu tive. Os primeiros desafios, meus primeiros funcionários.

A medida que o negócio ia aumentando eu dormia menos, pois além dos sanduíches, eu tinha as minhas duas faculdades. Tive que optar. Escolhi os estudos!

Logo que o meu sócio assumiu totalmente os sanduíches, eu consegui um estágio com um advogado que trabalhara com o meu pai alguns anos antes. O escritório do Dr.Fernando trabalha com quatões cíveis, criminais e trabalhistas. Durante o ano em que lá fiz estágio eu tive a oportunidade de passar por todas as áreas, e a que gostei mais foi o Direito Trabalhista, de repente porque é o que menos se parece com o Direito.

2003 estava acabado, e 2004, o último ano da faculdade ainda estava em aberto! O que fazer?

Em breve mais um capítulo dessa história. Brasília e a Rua Dona Brígida!

Um passo além da Dona Brígida – Parte I

Considero que o meu primeiro emprego – com hora para entrar, hora para sair e uma job definida – foi como atendente de bar em uma uma boate de Santa Maria. Antes disso eu já tinha conseguido uns trocos vendendo convite de festas, mas nada que exigisse muita responsabilidade.

Esses foram os meus primeiros extras, pois o meu pai sempre garantiu a minha mesada enquanto eu estivesse estudando.

Durou pouco o tempo na Boate, pois logo comecei o curso de direito noturno, que junto com a contábeis tomavam mais da metade do meu dia.

Contábeis de manhã, estágio em um esctritório de Contabilidade de tarde e direito de noite! Eis a nova fase!

Como estudante e estagiário o cara leva uma vida corrida, mas sem cansar muito, afinal, aula e estágio sempre se pode faltar!

Fiquei nessa vida por uns oito meses, foi quando resolvi largar o estágio, trancar as faculdades e ir para Londres. Lá fui morar em uma república com um pessoal que fazia engenharia, trabalhava em um restaurante francês e em um outro sul-africano com comida portuguesa.

Nos primeiros meses o cara aguenta bem, pois o objetivo é ter grana para se sustentar na caríssima Inglaterra. Conseguida a tão sonhada estabilidade, começou a faltar tempo para o melhor, gastar o dinheiro conquistado com o suor. Como eu não queria deixar as minhas aulas, pedi para sair de um dos restaurantes e logo fui convidado para trabalhar na biblioteca da escola onde eu estudava. Além de entregar os livros aos estudantes, era eu que preparava chá, café e bolachinhas para os intervalos.


Responsável pelo chá em Londres! Eu nunca tinha pensado por esse ângulo!

Em breve mais um capítulo dessa história. Os sanduíches, Brasília e a Dona Brígida!

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